Grupo de acolhimento psicossocial: espaço reflexivo para além do envolvimento com a justiça por uso de drogas em adultos jovens

Adriana Barbosa Sócrates

Resumo


O presente artigo tem o objetivo de relatar experiências de elaboração, construção e utilização de uma metodologia para Grupos de Intervenção Psicossocial – GIP para sujeitos envolvidos com a Justiça por uso de drogas. Esta metodologia foi construída com base nos achados da pesquisa de mestrado da autora e utiliza técnicas de trabalho em grupo embasadas pela teoria psicanalítica. Incluíram-se na metodologia a elaboração de sete instrumentos capazes de sistematizar informações sobre drogas, relações familiares e sociais, redes sociais e projeto de vida. Após a realização de seis grupos a metodologia proposta inicialmente foi testada e aprimorada. Chegou-se a um método resultante e realizou-se mais 20 grupos no intuito de afirmar seu alcance reflexivo e clínico para além do envolvimento com a Justiça. Os 175 sujeitos que participaram dos 26 GIPs foram encaminhados pelo Serviço de Assessoramento aos Magistrados no assunto drogas da Secretaria Psicossocial Judiciária do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios – SERUQ/ESPSI/TJDFT em razão de uma parceria técnica estabelecida com a autora. Os participantes avaliaram a intervenção sinalizando nos instrumentos utilizados sua opinião e percepção no início e término das intervenções, contribuindo com a elaboração metodológica do GIP. A maioria avaliou que o espaço para refletir proporcionado pelo GIP superou sua expectativa, alterou sua relação com as drogas, notou mudança em si próprio, considerou essa atividade a melhor forma de cumprir pena por uso de drogas e indicaria para outras pessoas em situação similar. Conclui-se que a metodologia do GIP demonstrou promover reflexões rumo à ampliação de percepções sobre o impacto do envolvimento com a Justiça por uso de drogas em suas vidas. Além de tornar consciente a função do uso de drogas, os prejuízos na saúde, nas relações familiares e sociais, no trabalho ao ponto de mobilizarem recursos emocionais para uma reorganização de suas vidas.


Texto completo:

PDF

Referências


Araújo, J. N. G. e Carreteiro, T. C. (orgs.) (2001). Cenários sociais e abordagem clínica. São Paulo: Escuta; Belo Horizonte: Fumec.

Ávila, T.A.P. (2010). Themis e a Síndrome de Jano: novas experiências de abertura interdisciplinar na Justiça Criminal. Em: GHESTI-GALVÃO, I.; ROQUE, E.C.B. (Coords.). Aplicação da lei em uma perspectiva interprofissional. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p. 467-478.

Bion, W. R. O aprender com as experiências. Imago, 2003.

Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: métodos qualitativos, quantitativos e misto. Porto Alegre: Artmed.

Pinheiros, R.M. (2006). Redução de danos e psicanálise aplicadas à toxicomania in Medeiros, R. e Cirino, O. Álcool e outras drogas – escolhas, impasses e saídas possíveis. Belo Horizonte: Authentica: 2006.

Bion, W. R. (1970). Experiências com grupos: os fundamentos da psicoterapia de grupos. Rio de Janeiro: Imago.

Folkes, S. H e Anthony,E. J. (1972). Psicoterapia de grupo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S. A.

Freda, H. (1987). Lei e instituição, In Fascículo n° 4, CMT-FHEMIG, traduzido por Alexandre Gallo Neves da Rocha, Belo Horizonte (mimeo).

Freud, S. (1921) Psicologia de grupo e a análise do ego. In: FREUD, S. Além do princípio de prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1987. V.18, p.81-154. (Obras psicológicas completas de Sigmund Freud).

Freud, S (1996). O mal-estar na civilização (1930[1929]). Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud v. XXI edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago.

Gianesi, A. P. L. (2005). A toxicomania e o sujeito da Psicanálise. Revista Psyché IX (15), 125-138.

Inem, C. L. e Acselrad, G (orgs) (1987). Drogas: uma visão contemporânea: I Jornada sobre toxicomania doNEPAD, UERJ. Rio de Janeiro: Imago.

Olievenstein, C. (1989). A clínica do toxicômano: a falta da falta. Porto Alegre: Artes Médicas.

Rey, F. G. (2005). Pesquisa Qualitativa e Subjetividade: os processos de construção da informação. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

Ribeiro, C. T. (2009). Que lugar para as drogas no sujeito? Que lugar para o sujeito nas drogas? Uma leitura psicanalítica do fenômeno do uso de drogas na contemporaneidade. Ágora (Rio de Janeiro) v. XII. n. 2. jul/dez. 2009. pp. 333-346.

Santos, J. B. (2006). Redes sociais e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência: avaliação e abordagem no contexto da escola. Dissertação de Mestrado. Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura, Universidade de Brasília.

Sócrates, A. B. (2008). Do sujeito à Lei, da Lei ao sujeito: o revelar de experiências subjetivas de envolvimento com a Justiça por uso de drogas no contexto do acolhimento psicossocial. Dissertação de Mestrado. Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura, Universidade de Brasília.

Sudbrack, M. F. O. (2003). Da obrigação à demanda, do risco à proteção e da dependência à liberdade: abordagem da drogadição de adolescentes. In M. F. O. Conceição, N. I. G., Seidl, E. M. F., & M. T.

Silva. Adolescentes e drogas no contexto da Justiça (pp. 47-79). Brasília: Editora Plano.

Zehr, Howard (1990). Changing lenses: A New Focus for Crime and Justice. Scottdale, PA: Herald Press.

Zimmermann, D.; Osório, L. C. (1997). Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.